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06.05.2013NÚMEROS QUE PREOCUPAM

NÚMEROS QUE PREOCUPAM

T E N D Ê N C I A S
Prof. Dr. Argemiro Luís Brum
(CEEMA/DACEC/UNIJUI)
05/05/2013
NÚMEROS QUE PREOCUPAM
Na ótica do governo, a considerar os discursos oficiais, a economia nacional marcha bem. Todavia, se olharmos as coisas sob o ponto de vista mais estrutural, a realidade não é tão boa assim. Enquanto a inflação, mesmo indicando na tendência um percentual abaixo do teto da meta para o final do ano (6,5%), continua dando mostras de força, devendo permanecer acima deste teto por mais alguns meses. Além disso, a mesma está disseminada no conjunto da economia, fato que pode levar o governo a perder seu controle caso não continue com um controle monetário iniciado neste mês de abril. Por outro lado, aumentar o juro (Selic) para conter a inflação é jogar contra o crescimento da economia, que já está pífio. Uma equação, portanto, que não fecha. Paralelamente, o desemprego oficial começa a subir em percentagem, sendo que na prática há muito mais do que os dados governamentais indicam. Nesse contexto, preocupa a pressão dos órgãos sindicais em levar o governo a iniciar um processo de reajuste trimestral do salário mínimo. Ora, isso é um retrocesso e seria alimentar ainda mais a inflação e o desemprego. Sobretudo porque os aumentos salariais nos últimos anos têm ficado bem acima da inflação oficial, sem uma melhoria na produtividade do trabalho, fato que vem tirando competitividade de nossos produtos. Entre janeiro e abril deste ano, por exemplo, dos 93 acordos salariais realizados no país, 86% tiveram aumentos acima da inflação. Aumentar salários é bom e importante, porém, a ação somente se justifica economicamente se a produtividade do trabalho acompanha o processo. Caso contrário, estamos pagando mais por um trabalho ineficiente. Em pouco tempo, as empresas não poderão agüentar tal diferença e o desemprego, que vinha sendo contido em função dos custos de uma ação deste tipo, começa agora a se tornar uma possibilidade concreta e, infelizmente, viável para o setor empresarial.
NÚMEROS QUE PREOCUPAM (II)
Mas o quadro não pára aí. A performance industrial continua ruim. Embora a produção industrial tenha sido positiva em março, ela o foi de apenas 0,7%, saindo de um nível de comparação péssimo, que foi a queda de 2,4% em fevereiro. Sem ajuste sazonal, o recuo em relação a março de 2012 foi de 3,3%. No final do primeiro trimestre deste ano o recuo é de 0,5% sobre o mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses (abril/12-março/13) o recuo da produção industrial nacional é de 2%, mantendo o mesmo nível encontrado em janeiro e fevereiro. Enfim, apesar de o câmbio ter se estabelecido ao redor de R$ 2,00 em 2013, a balança comercial resultou em um déficit significativo nestes primeiros quatro meses do ano. Somente em abril o mesmo atingiu a US$ 994 milhões, se constituindo no pior resultado, para um mês de abril, em toda a série histórica. No acumulado do ano de 2013 o déficit já atinge a US$ 6,15 bilhões, contra um superávit de US$ 3,3 bilhões em igual período de 2012. No quadrimestre, as exportações recuaram 4,2% neste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações
cresceram 8,8%. E o pior é que isso ainda irá impactar negativamente no resultado final do quadrimestre junto à balança de transações correntes, que só no último mês de março já havia registrado um déficit de US$ 6,87 bilhões, levando o acumulado de 12 meses para 2,93% do PIB, o qual se constitui no pior resultado desde agosto de 2002. Assim, enquanto o governo, por questões eleitorais, destaca os programas sociais pontuais, a economia real está sendo corroída rapidamente. Ainda há tempo para reações e correções de rumo, porém, isso requer medidas mais objetivas e enérgicas as quais o governo hesita em tomar porque, agora, as mesmas já vêm acompanhadas de certos custos sociais. Em síntese, continuamos comprometendo o futuro econômico em troca de resultados políticos imediatos.

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